As preocupações que sempre tivemos com o andamento da economia brasileira mostram-se realistas. O último dado de crescimento de nossa indústria mostra uma queda da produção de 0,8% em janeiro em relação à dezembro e de 5% em relação à janeiro de 2011, com a diminuição do uso da nossa capacidade produtiva instalada.
Não são bons sinais, ainda que não catastróficos.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Temos um candidato
Como previ, passado o Carnaval, uma candidatura do PSDB à prefeitura de São Paulo se afirma: José Serra. Ainda pode haver a prévia mas, certamente, será essa a decisão do partido. Parabéns a Andrea Matarazzo e Bruno Covas, que souberam avaliar o momento político e desistiram de competir. Mostraram espírito público e espírito partidário. Serra, além de produzir a unidade interna do partido tem condições de ampliar o arco de alianças para enfrentar a candidatura petista. São Paulo continuará sendo o bastião de resistência à avalanche de poder petista que não se contenta com o comando do governo federal e de muitas unidades da Federação.
A luta não será fácil, vamos ver ainda muita água correr debaixo da ponte. Mas a democracia é isso. O povo dirá o que quer.
A luta não será fácil, vamos ver ainda muita água correr debaixo da ponte. Mas a democracia é isso. O povo dirá o que quer.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Presente e futuro
Divulgado o crescimento do PIB em 2011: 2,79%. O menor da América Latina, fora Cuba e El Salvador. Indústria, crescimento praticamente zero. Dá prá entusiamar? Dá prá cantar vitória?
As projeções para 2012 não são muito melhores e, certamente, como tem sido, muito otimistas.
Estamos parados, ou melhor, relativamente, recuando. Perdendo uma chance que, quem sabe,
possa não voltar mais.
Saio alguns dias, inclusive o Carnaval, para o sul da Argentina, com meus filhos, uma experiência inédita. Bom dias prá vocês. Espero, quando voltar, ver a novela do candidato do PSDB a prefeito de sampa, terminada.
As projeções para 2012 não são muito melhores e, certamente, como tem sido, muito otimistas.
Estamos parados, ou melhor, relativamente, recuando. Perdendo uma chance que, quem sabe,
possa não voltar mais.
Saio alguns dias, inclusive o Carnaval, para o sul da Argentina, com meus filhos, uma experiência inédita. Bom dias prá vocês. Espero, quando voltar, ver a novela do candidato do PSDB a prefeito de sampa, terminada.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Dilma e Cardoso, símbolos da coerência
Em junho do ano passado os bombeiros do Rio de Janeiro, em greve por melhores salários, invadiram o quartel-central da corporação. No dia seguinte, a maioria dos manifestantes foi presa. Terminada a paralisação o senador Lindbergh Farias, do PT, propôs uma anistia aos bombeiros. O projeto de lei recebeu emendas do próprio senador e dos senadores Renan Calheiros, do PMDB, e Eduardo Amorim, do PSC.
Alterado por emendas no Congresso, o projeto de lei que previa anistia criminal apenas para os bombeiros grevistas do Rio acabou estendendo o benefício a policiais e bombeiros de mais 12 estados e do Distrito Federal. Foram considerados anistiados todos os envolvidos em movimentos reivindicatórios em um período de 14 anos. A lei foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff no dia 11 de outubro do ano passado.
Essa é a notícia. E agora, ouviram a presidente e seu ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, dizerem, enfaticamente, que é inadmissível a anistia a policiais militares pois as suas paralisações são ilegais? Será que essa gente do governo esquece o que disseram e assinaram no dia anterior?
Alterado por emendas no Congresso, o projeto de lei que previa anistia criminal apenas para os bombeiros grevistas do Rio acabou estendendo o benefício a policiais e bombeiros de mais 12 estados e do Distrito Federal. Foram considerados anistiados todos os envolvidos em movimentos reivindicatórios em um período de 14 anos. A lei foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff no dia 11 de outubro do ano passado.
Essa é a notícia. E agora, ouviram a presidente e seu ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, dizerem, enfaticamente, que é inadmissível a anistia a policiais militares pois as suas paralisações são ilegais? Será que essa gente do governo esquece o que disseram e assinaram no dia anterior?
Petistas envergonhados? Vê se pode...
Não somos só nós que damos nossas mancadas. Ao invés de faturar o resultado da privatização da ampliação e operação dos aeroportos, o PT sai por aí desesperado a dizer que a privatização que fizeram não é a mesma do PSDB. Ora, se não tem o pejo de privatizar o próprio Estado brasileiro, seus ministérios e suas agências reguladoras, submetidos ao assalto de entes privados, por que ficarem nessa defensiva se pelo menos, no caso, o fizeram mediante licitação pública? Já faz tempo que o petistas não são virgens.
Pesadelos
Martha, ex prefeita e senadora, acha um pesadelo acordar de mãos dadas com o Kassab. Pois eu tive um pesadelo: Martha e Kassab se beijando na boca. Sob os olhares ternos do Lula e da Dilma.
Ainda bem que era só pesadelo.
Ainda bem que era só pesadelo.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
O silêncio das oposições
Tornou-se
lugar comum na imprensa, e mesmo no discurso de lideranças políticas da
oposição, dizer que, desde o início do
período petista na direção do governo federal, vivemos o silêncio das
oposições.
Dado isso
como uma “verdade”, sem que ninguém tenha a coragem de contestar, parte-se para
uma tentativa de explicação, se não justificação, dessa pretensa omissão que,
além de garantir a manutenção do PT no
poder, poria em risco a nossa democracia à duras penas conquistada. E ela, a ”verdade”, se apoia no conceito de que com a situação
econômica em que vivemos - um mar de tranquilidade, aumento da capacidade de
consumo da população e desemprego em queda - fazer oposição tornou-se um ato de
contrição ( ou de auto flagelação ), conforme assinalou Fernando Henrique
Cardoso em seu artigo em 5 de fevereiro último.
O
ex-presidente, corretamente, não se conforma com isso. Lembra que também era
assim no período do milagre dos anos 70, durante o regime militar, mas a
oposição não se calou, apesar da censura e dos perigos de cassação de direitos
políticos. Resistiu, combateu e venceu,
impulsionada por um ideal: liberdade e democracia.
FHC diz que
hoje a situação é infinitamente mais fácil e confortável e pergunta: hoje o que
queremos? Ganhar eleições para quê?
Quis o destino que eu vivesse esses dois momentos apontados,
o ontem e o hoje. Lá atrás, na década de
70, apesar da insegurança em que vivíamos – ser oposição era um ato de coragem
e de ousadia diante da repressão e do “milagre econômico” – tínhamos objetivos
bem definidos e um inimigo que não usava subterfúgios: era um estado de
exceção, uma ditadura, sem rodeios. Sob
esse aspecto era mais fácil definir quem estava do lado de cá e quem estava do
lado de lá e era confortável saber que o povo compreendia a situação e se
sensibilizava com o nosso discurso. Se nas
eleições de 1970, logo após o Ato Institucional nº5, fomos amplamente
derrotados em todo o país, logo depois, em 1974, o MDB derrotou a Arena nos
principais estados do país, mostrando, de imediato, a sua desconformidade com o
regime, ainda que o quadro econômico não fosse tão ruim. E logo em seguida, em 1978, confirmamos as
nossas vitórias elegendo em São Paulo Montoro, senador e Fernando Henrique, seu
suplente, e obrigamos o regime a aceitar, em 1982, as eleições diretas de
governadores dos estados, onde, mais uma vez, tivemos resultados expressivos.
Apenas na aparência o quadro hoje é mais fácil e
confortável. O PT foi vitorioso não só porque o país passou
por um período de crises econômicas internacionais na década de 90, que
afetaram sobremaneira a vida dos brasileiros mas também porque não soubemos conscientizá-lo
sobre os benefícios a médio e longo prazo das reformas efetuadas pelo governo
do PSDB. Hoje o PT, além de navegar em
um período de crescimento econômico no âmbito internacional ( com alguns lapsos,
como em parte de 2011 ), aproveita tudo
o que plantamos e se apropriou das nossas políticas como plataforma para suas
vitórias. A estabilidade também passou a
ser dele, da mesma forma como o equilíbrio fiscal, a responsabilidade fiscal, a
meta de combate à inflação, o respeito à legalidade e às instituições, e outras
por nós implantadas.
Poderíamos reduzir tudo isso dizendo que fomos vitoriosos,
não apenas pelas nossas mãos, mas pelas
mãos dos adversários pois conseguimos fazê-los sair das sua posições atrasadas
e conservadoras para aceitar que o novo Brasil não se constrói com os dogmas do
passado. Mas não se pode negar também
que tiveram a capacidade de, dessa forma, se credenciar perante a sociedade
organizada, ainda que em nenhum momento tenham deixado de fazer uso da máquina
estatal e de se pautar pela falta de escrúpulos com que conduzem e mantém o
poder.
Mas é preciso ressaltar que ainda que o país não passe por um
momento de grandes dificuldades econômicas, a situação não é confortável se
vista na perspectiva do futuro. A nossa
indústria vem sofrendo um esvaziamento preocupante, que vem de anos, mas se
agrava com as políticas do governo Lula/Dilma.
A nossa infraestrutura é cada vez mais deficiente para alavancar uma
nova fase de desenvolvimento, a qualidade da educação no país avança muito lentamente,
de forma insuficiente para atender a demanda de nosso desenvolvimento; a produtividade
da nossa economia também cresce lentamente, aumentando o distanciamento em
relação às nações mais desenvolvidas e mesmo às emergentes, e a desigualdade
social continua a ser a nossa marca mais perversa. Além disso, no campo institucional, pessoas e
partidos assumiram o poder saqueando o estado em benefício pessoal,
aprofundando as injustiças e esterilizando a capacidade de gestão do governo.
Ainda assim, com todos os aspectos citados que favoreceram o
partido no poder, conseguimos mostrar – e fazer o povo perceber - os aspectos
negativos das atitudes e políticas federais, e obtivemos nas últimas eleições
44% dos votos. Tudo que foi exposto
acima, além das dissonâncias internas do PSDB, se de um lado não tenha nos dado
a vitória, do outro permitiu obter esse resultado expressivo. Mostramos força
na expressão de nossas convicções e a campanha eleitoral foi feita nos limites
das nossas possibilidades.
Falar à sociedade com força e veemência, como prega FHC, tudo
o que se sente, inclusive a indignação pela corrupção e pela incompetência
administrativa, é o que se fez e é o que se faz, combatendo um adversário que,
ninguém se engane, é mais forte e mais consistente que os brucutus da ditadura.
A construção do discurso, a clareza da
mensagem ( como era clara a mensagem quando combatemos a ditadura ou quando FHC
venceu com a concretude do plano Real e o início de um processo de distribuição
de renda que ainda continua ) deve
mostrar que um mundo melhor é possível.
Não basta constatar, fazer um diagnóstico correto. É preciso
construir, ir ao povo em todos os lugares e em todas as oportunidades, malhar,
às vezes em ferro frio, até que a
sociedade se conscientize de que o que está aí não é o melhor que o
Brasil pode almejar para o seu povo, que o país tem um potencial muito maior do
que se mostra hoje, que podemos estar, não como o último do BRICs, nem como um
dos últimos países emergentes em termos de desenvolvimento, mas como um dos que
tem as condições necessárias e suficientes para liderar qualquer ranking, sem
ter de ostentar as profundas diferenças sociais que subsistem em nosso país. É isso o que queremos. Isso só depende de nós e dos
dirigentes que vamos escolher.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Reconhecimento em câmera lenta
A Agência de Notícias do governo federal, somente após 13 dias, reconhece que divulgou falsas informações sobre os episódios ocorridos no Pinheirinho. Notícias do pseudo massacre, a existência de mortos e feridos, foram espalhadas pelo mundo mostrando no Brasil, em São Paulo, um quadro inexistente. Foram rapidos na divulgação das mentiras e lentos no reconhecimento da verdade. Típico dos malandros que infestam os quadros do governo petista.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
A privatização petista
O PT venceu tres eleições presidenciais seguidas. Um dos instrumentos mais importantes para a sua vitória foi criar um sentimento no país contrário às privatizações efetuadas, como se elas fossem contra o interesse público e contra o interesse nacional, além de que teriam sido envolvidas em processos de corrupção. Após anos, nenhuma falcatrua foi constatada, ninguém foi condenado apesar da ação do Ministério Público, da Polícia Federal, dos órgãos de contrôle e do próprio PT e de seu governo. Mas o clima criado lhes serviu para assumir o poder e mantê-lo. Na realidade, sempre foram grandes adeptos da privatização de outro tipo: privatizaram o próprio Estado brasileiro, colocado hoje a serviço dos partidos de sustentação do governo federal, das corporações trabalhistas e dos grandes interesses econômicos. Além disso realizaram, timidamente, várias operações de privatização de bens públicos e dos seus serviços prestados.
Agora, com 8 anos de atraso, estão privatizando a operação aeroportuária. Sem qualquer remorso por tudo o que disseram e fizeram, sem quaisquer escrúpulos, sem qualquer auto crítica, assumiram que não teriam a capacidade financeira, nem a capacidade de gestão para atender o enorme crescimento da demanda no setor aéreo. Aliás, como lá atrás, na década de 90, concluimos o mesmo em relação ao sistema de telecomunicações.
Mas é preciso acompanhar o andar da carruagem. O leilão se deu e já existem empresas vencedoras. Vamos, com o tempo, conhecer melhor o edital da licitação e o perfil das empresas. É uma privatização sui-generis. Além da ampla e majoritária participação dos fundos de pensão das empresas estatais federais e do financiamento de 80% do BNDES, não sabemos ainda sobre o que incide esse percentual, a estatal Infraero tem 49% do capital dos grupos que se constituiram. Os consórcios vencedores não são constituídos das melhores operadoras do setor, aquelas com maior experiência, e elas tem uma pequena participação no capital da nova empresa ( o consórcio ). As empresas construtoras que fazem parte dos mesmos consórcios tem também uma pequena participação, certamente na justa medida dos lucros que terão nas atividades de construção civil de ampliação e reforma dos aeroportos. Uma delas, vencedora em Viracopos, havia também vencido uma licitação de rodovias em São Paulo e não conseguiu assinar o contrato pois não conseguiu cumprir as exigências de garantias.
Falta, de verdade, saber onde, como e quanto será o capital privado aplicado. Não parece muito.
O tempo reponderá muitas questões mas, de qualquer forma, devemos saudar o passo dado pelo governo federal. Tardio, tímido, vacilante, envergonhado, em formato duvidoso, mas foi...
Agora, com 8 anos de atraso, estão privatizando a operação aeroportuária. Sem qualquer remorso por tudo o que disseram e fizeram, sem quaisquer escrúpulos, sem qualquer auto crítica, assumiram que não teriam a capacidade financeira, nem a capacidade de gestão para atender o enorme crescimento da demanda no setor aéreo. Aliás, como lá atrás, na década de 90, concluimos o mesmo em relação ao sistema de telecomunicações.
Mas é preciso acompanhar o andar da carruagem. O leilão se deu e já existem empresas vencedoras. Vamos, com o tempo, conhecer melhor o edital da licitação e o perfil das empresas. É uma privatização sui-generis. Além da ampla e majoritária participação dos fundos de pensão das empresas estatais federais e do financiamento de 80% do BNDES, não sabemos ainda sobre o que incide esse percentual, a estatal Infraero tem 49% do capital dos grupos que se constituiram. Os consórcios vencedores não são constituídos das melhores operadoras do setor, aquelas com maior experiência, e elas tem uma pequena participação no capital da nova empresa ( o consórcio ). As empresas construtoras que fazem parte dos mesmos consórcios tem também uma pequena participação, certamente na justa medida dos lucros que terão nas atividades de construção civil de ampliação e reforma dos aeroportos. Uma delas, vencedora em Viracopos, havia também vencido uma licitação de rodovias em São Paulo e não conseguiu assinar o contrato pois não conseguiu cumprir as exigências de garantias.
Falta, de verdade, saber onde, como e quanto será o capital privado aplicado. Não parece muito.
O tempo reponderá muitas questões mas, de qualquer forma, devemos saudar o passo dado pelo governo federal. Tardio, tímido, vacilante, envergonhado, em formato duvidoso, mas foi...
domingo, 5 de fevereiro de 2012
O PT desnudo
Eis aí uma matéria do blog do Reinaldo Azevedo, na revista "Veja", expressando opiniões com as quais concordo, com exceção de trecho a respeito da "esquerda", que comento após a transcrição do texto a seguir:
Quando Lula e Jaques Wagner promoviam a baderna na Bahia. Ou: Práticas criminosas
Em julho de 2001, houve uma greve da Polícia Militar na Bahia, então governada pelo PFL. Eu dirigia o site e a revista Primeira Leitura. Critiquei severamente o movimento dos policiais nos termos de sempre nesses casos: “Gente armada não pode parar; quando um policial deixa de trabalhar, o bandido agradece, e o homem comum sofre”. Eu pensava isso sobre a greve da PM baiana em 2001 e penso o mesmo sobre a greve de 2012. Mas e Lula? E Jaques Wagner?
“‘A Polícia Militar pode fazer greve. Minha tese é de que todas as categorias de trabalhadores que são consideradas atividades essenciais só podem ser proibidas de fazer greve se tiverem também salário essencial. Se considero a atividade essencial, mas pago salário mixo, esse cidadão tem direito a fazer greve.”
Que fala aí é Luiz Inácio Apedeuta da Silva, então pré-candidato à Presidência pelo PT. Seria eleito no ano seguinte para seu primeiro mandato. Naquela greve, sem o morticínio de agora, também houve arrastões, saques etc. Lula, dotado daquela mesma moral e responsabilidades maiúsculas de Eduardo Suplicy tinha o diagnóstico sobre o que estava em curso no Estado. Leiam:
“Acho que, no caso da Bahia, o próprio governo articulou os chamados arrastões para criar pânico na sociedade. Veja, o que o governo tentou vender? A impressão que passava era de que, se não houvesse policial na rua, todo o baiano era bandido. Não é verdade. Os arrastões na Bahia me lembraram os que ocorreram no Rio em 92, quando a Benedita (da Silva, petista e atual vice-governadora do Rio) foi para o segundo turno (nas eleições para a prefeitura). Você percebeu que na época terminaram as eleições e, com isso, acabaram os arrastões? Faz nove anos e nunca mais se falou isso”.
Quanta ligeireza!
Quanta irresponsabilidade!
Quanta vigarice política!
Mas isso não é tudo, não. Um dos grandes apoiadores da greve de 2001 foi o então deputado Jaques Wagner, hoje governador do Estado. Informava o Globo Online de ontem:
Apontado como líder da greve dos PMs baianos, o presidente da Associação de Policiais, Bombeiros e seus Familiares da Bahia (Aspra), soldado Marco Prisco, disse que o governador Jacques Wagner, quando ainda era deputado federal, participou com outros parlamentares do PT e de partidos da base do esquema de financiamento da paralisação dos policiais militares do estado em 2001. Ele acrescentou que o Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia, que tinha na direção o atual presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, alugou e cedeu, na época, seis carros para garantir a greve na Bahia, onde diz que foi preseguido e ameaçado de prisão pelo então governador carlista Cesar Borges. “O motorista que me levou para Brasília era um funcionário do sindicato, Nelson Souto. Na capital, foi recebido pelo então senador petista Cristóvam Buarque”, disse.
Prisco disse que, além de Jacques Wagner, teriam apoiado e contribuído para a greve de 2001 os parlamentares Nelson Pellegrino (PT), Moema Gramacho (PT), Lídice da Mata (PSB), Alceu Portugal (PCdoB), Daniel Almeida (PCdoB) e Eliel Santana (PSC). Segundo ele, a ajuda garantiu a estrutura necessária ao movimento, incluindo o fornecimento de alimentação para os grevistas.
Voltei
ISSO É O PETISMO, ESSE LIXO MORAL! Os petistas estavam financiando a greve por intermédio de um sindicato - que nada tinha a ver com a polícia, diga-se - e de seus parlamentares. Hoje, o governador Wagner vai à TV demonizar aqueles a quem deu suporte material quando estava na oposição. O tal líder sindical é o mesmo. Consta que é filiado ao PSDB, mas que vai rasgar sua ficha. Está descontente porque os tucanos não estão apoiando seu movimento - no que fazem muito bem!
Vejam lá que graça: até Sérgio Gabrielli, que depois se tornou o todo-poderoso da Petrobras e que vai fazer parte da equipe de Wagner, apoiava a greve dos policiais. Ora, se era para lutar contra o governo, que mal havia em deixar a população à mercê da bandidagem?
Crime como método
A esmagadora maioria dos petistas é socialista de araque. Essa gente gosta mesmo é do capitalismo, especialmente à moda brasileira, com esse estado gigantesco, que permite ao governo manter na rédea curta boa parte do empresariado. Isso é, além de tudo, muito lucrativo - escreverei mais tarde um artigo sobre o “modo Dilma” de privatizar aeroportos. Não sei como o caçador de “privatarias”, Elio Gaspari, ainda não se interessou pelo caso… Mas não quero mudar o foco. Voltemos.
Os “socialistas” do PT já renunciaram, e faz tempo!, à dimensão utópica do socialismo - não que ela seja grande coisa: também é criminosa. Mas é evidente que houve socialistas, e ainda os há, bem poucos, que realmente acreditavam estar lutando pelo reino da justiça e da igualdade e coisa e tal… Daquele socialismo, os petistas de agora conservam apenas a concepção autoritária de sociedade, gerida pelo partido. Em nome de sua construção e de seu fortalecimento, tudo é possível - muito especialmente o crime.
Eu diria mesmo que inexiste, infelizmente para os bem-intencionados, uma esquerda que não seja criminosa, ainda que alguns de seus militantes não tenham clareza disso. O melhor texto a relatar essa moral justificadora do mal é a peça “As Mãos Sujas”, de Sartre, depois convertido ao… comunismo!
Se o objetivo é conquistar o poder, anotem aí, não existe óbice moral para o PT “Ah, é assim com todo mundo…” Em primeiro lugar, é falso! Não é, não! Em segundo lugar, mas não menos importante: há muitos bandidos que exibem ao menos uma nesga de honestidade ao não tentar nos convencer de que aquilo que nos destrói é bom para nós.
Em 2001, o PT queria “o quanto pior, melhor” na Bahia porque isso fazia parte de seu projeto de poder. Em 2012, o PT quer “o quanto pior, melhor” em São Paulo porque isso faz parte do seu projeto de poder. O governo federal baixou no estado governado pelo petista Jaques Wagner para tentar impor um pouco de ordem. Os mesmos valentes tentaram meter os pés pelos pés em São Paulo para ver se impõem a desordem.
Por Reinaldo Azevedo
Com o que eu não concordo? Diz o jornalista: "inexiste...uma esquerda que não seja criminosa". Não é verdade. Existe sim, desde muitas décadas, uma esquerda que valoriza, mais do que tudo, a democracia como um valor supremo. Não está organizada em partido político, mas é um pensamento que perpassa organizações e pessoas às milhares. Ao contrário, à parte das exceções, os petistas nunca, nem agora, consideraram a democracia como o valor maior. A meu ver, e digo isso há muitos anos, o PT está mais próximo de concepções de direita, como eu as entendo, do que de esquerda.
O que os petistas conseguiram, isso sim, foi macular a histórica concepção de esquerda, fazendo-a parecer como eles são.
Quando Lula e Jaques Wagner promoviam a baderna na Bahia. Ou: Práticas criminosas
Em julho de 2001, houve uma greve da Polícia Militar na Bahia, então governada pelo PFL. Eu dirigia o site e a revista Primeira Leitura. Critiquei severamente o movimento dos policiais nos termos de sempre nesses casos: “Gente armada não pode parar; quando um policial deixa de trabalhar, o bandido agradece, e o homem comum sofre”. Eu pensava isso sobre a greve da PM baiana em 2001 e penso o mesmo sobre a greve de 2012. Mas e Lula? E Jaques Wagner?
“‘A Polícia Militar pode fazer greve. Minha tese é de que todas as categorias de trabalhadores que são consideradas atividades essenciais só podem ser proibidas de fazer greve se tiverem também salário essencial. Se considero a atividade essencial, mas pago salário mixo, esse cidadão tem direito a fazer greve.”
Que fala aí é Luiz Inácio Apedeuta da Silva, então pré-candidato à Presidência pelo PT. Seria eleito no ano seguinte para seu primeiro mandato. Naquela greve, sem o morticínio de agora, também houve arrastões, saques etc. Lula, dotado daquela mesma moral e responsabilidades maiúsculas de Eduardo Suplicy tinha o diagnóstico sobre o que estava em curso no Estado. Leiam:
“Acho que, no caso da Bahia, o próprio governo articulou os chamados arrastões para criar pânico na sociedade. Veja, o que o governo tentou vender? A impressão que passava era de que, se não houvesse policial na rua, todo o baiano era bandido. Não é verdade. Os arrastões na Bahia me lembraram os que ocorreram no Rio em 92, quando a Benedita (da Silva, petista e atual vice-governadora do Rio) foi para o segundo turno (nas eleições para a prefeitura). Você percebeu que na época terminaram as eleições e, com isso, acabaram os arrastões? Faz nove anos e nunca mais se falou isso”.
Quanta ligeireza!
Quanta irresponsabilidade!
Quanta vigarice política!
Mas isso não é tudo, não. Um dos grandes apoiadores da greve de 2001 foi o então deputado Jaques Wagner, hoje governador do Estado. Informava o Globo Online de ontem:
Apontado como líder da greve dos PMs baianos, o presidente da Associação de Policiais, Bombeiros e seus Familiares da Bahia (Aspra), soldado Marco Prisco, disse que o governador Jacques Wagner, quando ainda era deputado federal, participou com outros parlamentares do PT e de partidos da base do esquema de financiamento da paralisação dos policiais militares do estado em 2001. Ele acrescentou que o Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia, que tinha na direção o atual presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, alugou e cedeu, na época, seis carros para garantir a greve na Bahia, onde diz que foi preseguido e ameaçado de prisão pelo então governador carlista Cesar Borges. “O motorista que me levou para Brasília era um funcionário do sindicato, Nelson Souto. Na capital, foi recebido pelo então senador petista Cristóvam Buarque”, disse.
Prisco disse que, além de Jacques Wagner, teriam apoiado e contribuído para a greve de 2001 os parlamentares Nelson Pellegrino (PT), Moema Gramacho (PT), Lídice da Mata (PSB), Alceu Portugal (PCdoB), Daniel Almeida (PCdoB) e Eliel Santana (PSC). Segundo ele, a ajuda garantiu a estrutura necessária ao movimento, incluindo o fornecimento de alimentação para os grevistas.
Voltei
ISSO É O PETISMO, ESSE LIXO MORAL! Os petistas estavam financiando a greve por intermédio de um sindicato - que nada tinha a ver com a polícia, diga-se - e de seus parlamentares. Hoje, o governador Wagner vai à TV demonizar aqueles a quem deu suporte material quando estava na oposição. O tal líder sindical é o mesmo. Consta que é filiado ao PSDB, mas que vai rasgar sua ficha. Está descontente porque os tucanos não estão apoiando seu movimento - no que fazem muito bem!
Vejam lá que graça: até Sérgio Gabrielli, que depois se tornou o todo-poderoso da Petrobras e que vai fazer parte da equipe de Wagner, apoiava a greve dos policiais. Ora, se era para lutar contra o governo, que mal havia em deixar a população à mercê da bandidagem?
Crime como método
A esmagadora maioria dos petistas é socialista de araque. Essa gente gosta mesmo é do capitalismo, especialmente à moda brasileira, com esse estado gigantesco, que permite ao governo manter na rédea curta boa parte do empresariado. Isso é, além de tudo, muito lucrativo - escreverei mais tarde um artigo sobre o “modo Dilma” de privatizar aeroportos. Não sei como o caçador de “privatarias”, Elio Gaspari, ainda não se interessou pelo caso… Mas não quero mudar o foco. Voltemos.
Os “socialistas” do PT já renunciaram, e faz tempo!, à dimensão utópica do socialismo - não que ela seja grande coisa: também é criminosa. Mas é evidente que houve socialistas, e ainda os há, bem poucos, que realmente acreditavam estar lutando pelo reino da justiça e da igualdade e coisa e tal… Daquele socialismo, os petistas de agora conservam apenas a concepção autoritária de sociedade, gerida pelo partido. Em nome de sua construção e de seu fortalecimento, tudo é possível - muito especialmente o crime.
Eu diria mesmo que inexiste, infelizmente para os bem-intencionados, uma esquerda que não seja criminosa, ainda que alguns de seus militantes não tenham clareza disso. O melhor texto a relatar essa moral justificadora do mal é a peça “As Mãos Sujas”, de Sartre, depois convertido ao… comunismo!
Se o objetivo é conquistar o poder, anotem aí, não existe óbice moral para o PT “Ah, é assim com todo mundo…” Em primeiro lugar, é falso! Não é, não! Em segundo lugar, mas não menos importante: há muitos bandidos que exibem ao menos uma nesga de honestidade ao não tentar nos convencer de que aquilo que nos destrói é bom para nós.
Em 2001, o PT queria “o quanto pior, melhor” na Bahia porque isso fazia parte de seu projeto de poder. Em 2012, o PT quer “o quanto pior, melhor” em São Paulo porque isso faz parte do seu projeto de poder. O governo federal baixou no estado governado pelo petista Jaques Wagner para tentar impor um pouco de ordem. Os mesmos valentes tentaram meter os pés pelos pés em São Paulo para ver se impõem a desordem.
Por Reinaldo Azevedo
Com o que eu não concordo? Diz o jornalista: "inexiste...uma esquerda que não seja criminosa". Não é verdade. Existe sim, desde muitas décadas, uma esquerda que valoriza, mais do que tudo, a democracia como um valor supremo. Não está organizada em partido político, mas é um pensamento que perpassa organizações e pessoas às milhares. Ao contrário, à parte das exceções, os petistas nunca, nem agora, consideraram a democracia como o valor maior. A meu ver, e digo isso há muitos anos, o PT está mais próximo de concepções de direita, como eu as entendo, do que de esquerda.
O que os petistas conseguiram, isso sim, foi macular a histórica concepção de esquerda, fazendo-a parecer como eles são.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
A Casa da Moeda, também
Nosso Ministro Guido Mântega que, como eu já escrevi, me lembra a Polyana e a Alma Boa de Szetzuan, fez juz à essas lembranças pela ingenuidade que demonstrou ao aceitar a indicação do PTB ( leia-se deputado Jovair Arantes ) para a presidência da Casa da Moeda. Com isso passou a ser responsável pelo escândalo de corrupção que o presidente da instituição protagonizou, segundo creio, inusitado, pois atingiu, parece piada, a Casa da Moeda, subordinada ao seu ministério.
O ministro passou a ter culpa no episódio pois não só escolheu o acusado como deixou de fiscalizá-lo adequadamente. Conforme os bacharéis de direito dizem, em latim, para mostrar mais erudição, in eligendo ( na escolha ) e in vigilando ( na fiscalização do escolhido ).
O ministro passou a ter culpa no episódio pois não só escolheu o acusado como deixou de fiscalizá-lo adequadamente. Conforme os bacharéis de direito dizem, em latim, para mostrar mais erudição, in eligendo ( na escolha ) e in vigilando ( na fiscalização do escolhido ).
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Um memorial da democracia de todos nós que por ela lutamos
Ótima idéia do prefeito Kassab de incentivar a criação do "Memorial da Democracia" em um terreno da área da nova Luz. Tudo bem, mas tem de ser o memorial da luta democrática encetada por mim e por milhares que dela participaram. Não pode ser um museu subordinado ao instituto de Lula, nem a qualquer outra entidade comandada por uma pessoa física. Lula é parte dessa história. Eu também, assim como muitos outros. Não é patrimônio exclusivo de ninguém.
Candidato-me, desde já, a participar com outras pessoas, de quaisquer partidos, a ajudar a organizar uma fundação que possa construir e gerir o museu.
Candidato-me, desde já, a participar com outras pessoas, de quaisquer partidos, a ajudar a organizar uma fundação que possa construir e gerir o museu.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
O dinheiro público a serviço do PT
Incrível! A "Revista de História da Biblioteca Nacional" publicou um texto, patrocinado pela Petrobrás, que elogia o panfleto "privataria tucana" cujo mérito seria destruir "a aura de honestidade de certos tucanos". Ataque tão grosseiro e canalha eu não tinha ainda visto. Com dinheiro público, abertamente, sem quaisquer escrúpulos.
Claro levarão, os responsáveis, um processo nas costas. Mas que ousadia...
Claro levarão, os responsáveis, um processo nas costas. Mas que ousadia...
Mentiras e verdades do caso Pinheirinho
Eu pedi ao governador Geraldo Alckmin que produzisse um "Dossiê Pinheirinho" para restabelecer a verdade sobre o caso que se arrasta há anos. Muito já foi coletado e o senador Aloysio Nunes publica na Folha de São Paulo um artigo intitulado "As mentiras do PT sobre Pinheirinho". O jonalista Neumanne também publica uma matéria no Estadão e, se quiserem ter acesso a vídeos elucidativos, vejam no Blog do Reinaldo Azevedo, da Revista Veja, nas matérias que tratam da questão. Vale a pena.
O artigo do senador vai abaixo:
Em face da reintegração judicial de posse da área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos, o PT montou uma fábrica de mentiras para divulgar nas próximas campanhas eleitorais. Em respeito aos leitores da Folha, eis as mentiras, seguidas da verdade:
Mentira 1: “O governo federal fez todos os esforços para buscar uma solução pacífica”.
Verdade: Desde 2004, a União nunca se manifestou no processo como parte nem solicitou o deslocamento dos autos para a Justiça Federal. Em 13 de janeiro de 2012, oito anos após a invasão, quando a reintegração já era certa, o Ministério das Cidades -logo o das Cidades, do combalido ministro Mário Negromonte- entregou às pressas à Justiça um “protocolo de intenções”. Sem assinatura, sem dinheiro, sem cronograma para reassentar famílias nem indicação de áreas, o documento, segundo a Justiça, “não dizia nada”, era uma “intenção política vaga.”
Mentira 2: “Derramou-se sangue, foi um massacre, uma barbárie, uma praça de guerra. Até crianças morreram. Esconderam cadáveres”.
Verdade: Não houve, felizmente, nenhuma morte, assim como nas 164 reintegrações feitas pela Polícia Militar em 2011. O massacre não existiu, mas o governo do PT divulgou industrialmente a calúnia. A mentira ganhou corpo quando a “Agência Brasil”, empresa federal, paga com dinheiro do contribuinte, publicou entrevista de um advogado dos invasores dando a entender que seria o porta-voz da OAB, entidade que o desautorizou. A mentira ganhou o mundo. Presente no local, sem explicar se na condição de ativista ou de servidor público, Paulo Maldos, militante petista instalado numa sinecura chamada Secretaria Nacional de Articulação Social, disse ter sido atingido por uma bala de borracha. Não fez BO nem autorizou exame de corpo de delito. Hoje, posa como ex-combatente de uma guerra que não aconteceu.
Mentira 3: “Não houve estrutura para abrigar as famílias”.
Verdade: A operação foi planejada por mais de quatro meses, a pedido da juíza. Participaram PM, membros do Conselho Tutelar, do Ministério Público, da OAB e dos bombeiros. O objetivo era garantir a integridade das pessoas e minimizar os danos. A prefeitura mobilizou mais de 600 servidores e montou oito abrigos. Os abrigos foram diariamente sabotados pelos autodenominados líderes dos sem-teto, que cortavam a água e depredavam os banheiros.
Mentira 4: “Nada foi feito em São Paulo para dar moradia aos desabrigados”.
Verdade: O governo do Estado anunciou mais 5.000 moradias populares em São José dos Campos, as quais se somarão às 2.500 construídas nos últimos anos. Também foi oferecido aluguel social de R$ 500 até que os lares definitivos fiquem prontos. Nenhuma família será deixada para trás.
Entre verdades e mentiras, é certa uma profunda diferença entre PT e PSDB no enfrentamento do drama da moradia para famílias de baixa renda. O Minha Casa, Minha Vida só vai sair do papel em São Paulo graças ao complemento de R$ 20 mil por unidade oferecido pelo governador Geraldo Alckmin às famílias de baixa renda. Sem a ajuda de São Paulo, o governo federal levaria 22 anos para atingir sua meta.
O PT flerta com grupelhos que apostam em invasões e que torcem para que a violência leve os miseráveis da terra ao paraíso. Nós, do PSDB, construímos casas. Respeitar sentença judicial é preservar o Estado de Direito. É vital que esse princípio seja defendido pelas mais altas autoridades. Inclusive pela presidente, que cometeu a ligeireza de, sem maior exame, classificar de barbárie o cumprimento de uma ordem judicial cercado de todas as cautelas que a dramaticidade da situação exigia.
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O artigo do senador vai abaixo:
Em face da reintegração judicial de posse da área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos, o PT montou uma fábrica de mentiras para divulgar nas próximas campanhas eleitorais. Em respeito aos leitores da Folha, eis as mentiras, seguidas da verdade:
Mentira 1: “O governo federal fez todos os esforços para buscar uma solução pacífica”.
Verdade: Desde 2004, a União nunca se manifestou no processo como parte nem solicitou o deslocamento dos autos para a Justiça Federal. Em 13 de janeiro de 2012, oito anos após a invasão, quando a reintegração já era certa, o Ministério das Cidades -logo o das Cidades, do combalido ministro Mário Negromonte- entregou às pressas à Justiça um “protocolo de intenções”. Sem assinatura, sem dinheiro, sem cronograma para reassentar famílias nem indicação de áreas, o documento, segundo a Justiça, “não dizia nada”, era uma “intenção política vaga.”
Mentira 2: “Derramou-se sangue, foi um massacre, uma barbárie, uma praça de guerra. Até crianças morreram. Esconderam cadáveres”.
Verdade: Não houve, felizmente, nenhuma morte, assim como nas 164 reintegrações feitas pela Polícia Militar em 2011. O massacre não existiu, mas o governo do PT divulgou industrialmente a calúnia. A mentira ganhou corpo quando a “Agência Brasil”, empresa federal, paga com dinheiro do contribuinte, publicou entrevista de um advogado dos invasores dando a entender que seria o porta-voz da OAB, entidade que o desautorizou. A mentira ganhou o mundo. Presente no local, sem explicar se na condição de ativista ou de servidor público, Paulo Maldos, militante petista instalado numa sinecura chamada Secretaria Nacional de Articulação Social, disse ter sido atingido por uma bala de borracha. Não fez BO nem autorizou exame de corpo de delito. Hoje, posa como ex-combatente de uma guerra que não aconteceu.
Mentira 3: “Não houve estrutura para abrigar as famílias”.
Verdade: A operação foi planejada por mais de quatro meses, a pedido da juíza. Participaram PM, membros do Conselho Tutelar, do Ministério Público, da OAB e dos bombeiros. O objetivo era garantir a integridade das pessoas e minimizar os danos. A prefeitura mobilizou mais de 600 servidores e montou oito abrigos. Os abrigos foram diariamente sabotados pelos autodenominados líderes dos sem-teto, que cortavam a água e depredavam os banheiros.
Mentira 4: “Nada foi feito em São Paulo para dar moradia aos desabrigados”.
Verdade: O governo do Estado anunciou mais 5.000 moradias populares em São José dos Campos, as quais se somarão às 2.500 construídas nos últimos anos. Também foi oferecido aluguel social de R$ 500 até que os lares definitivos fiquem prontos. Nenhuma família será deixada para trás.
Entre verdades e mentiras, é certa uma profunda diferença entre PT e PSDB no enfrentamento do drama da moradia para famílias de baixa renda. O Minha Casa, Minha Vida só vai sair do papel em São Paulo graças ao complemento de R$ 20 mil por unidade oferecido pelo governador Geraldo Alckmin às famílias de baixa renda. Sem a ajuda de São Paulo, o governo federal levaria 22 anos para atingir sua meta.
O PT flerta com grupelhos que apostam em invasões e que torcem para que a violência leve os miseráveis da terra ao paraíso. Nós, do PSDB, construímos casas. Respeitar sentença judicial é preservar o Estado de Direito. É vital que esse princípio seja defendido pelas mais altas autoridades. Inclusive pela presidente, que cometeu a ligeireza de, sem maior exame, classificar de barbárie o cumprimento de uma ordem judicial cercado de todas as cautelas que a dramaticidade da situação exigia.
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